Veio a trovoada,
E com ela o vento soprou,
Trouxe a chuva tanto esperada,
Que todos os sonhos levou.
Por todo lado, sons cheios de vida,
Omanatopeias da mulher em mim escondida,
Gozo de quem nunca sentiu,
Uma flor que nunca floriu.
Eu bem tento substituir,
Este buraco por outro,
Mas nada me faz voltar a sentir,
Em casa, livre, solto.
Filipe Guedes
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Deixa-me escrever com a tua voz, poeta sem sono...
Quero-me entregar de alma à tua noite
Para fazer com que o brilho pernoite
nas palavras que levantam o teu trono...
Sabes que ninguém sabe o que tu sabes,
Que a perfeição nem em viv'alma existe...
Mas se fores perfeito em ti, ninguém insiste
Em mudar as palavras nas quais cabes...
A Eternidade é algo não palpável,
E, se pensarmos bem, chega a ser fútil...
Não quero ser eterna, pois não se sabe,
Nesse caso, se a loucura nos é útil...
Poeta sem sono, diz-me: porque dormes
Em sonos que te tiram a loucura?
Não faças com que doa mais ainda
A vida que para nós já é dura...
Não deixes esta guerra terminar
Como se nada fosse tal efémero:
Vida que, do nascer ao enforcar,
Não passa do mental para o que é eterno...
Poeta sem sono, posso não rimar
Quando peço que te deixes descair
Num sono bem profundo, p'ra sonhar
Sem o muro que tanto custa subir...
És como o sol nas nuvens, que tem medo
De poder aparecer com o seu olhar
P'ra dar o beijo quente, que tem preso,
Guardado, se a loucura flamejar...
Vesti-me, certo dia, de vermelho,
Para sentir meu coração bater...
O meu corpo começou a mexer,
Encontrando no beco algum desejo
de correr...
Corri, perdida, atrás do inalcançável,
Na esperança de, em mim, vermelho ver...
Não sei por onde fui, nem o caminho
Para voltar onde me fui perder...
Procurei o perfume de uma rosa,
Na esperança de perfumar o meu ser...
Mas a rosa morria de tristeza,
E maior foi a minha, só de a ver...
O agora já passou, já o escrevi...
O ontem já foi há eternidades...
E procurei na noite onde dormi
A Lua que me contou as verdades...
Ri-me de perdição, quando disse ela,
Que para um dia eu me apaixonar
Não seria vermelho de flanela,
Nem veludo do céu da terra dela
Que alguma vez eu ia precisar...
Mas que para eu viver bastava apenas:
Um sorriso, e um coração capaz de amar...
Hoje apetece-me molhar-me no sabor da chuva e chorar...
Talvez de alegria, por sinal, verdadeira... Não me encontro em estado bom para me julgar, ou julgar o sol que as nuvens rodeia...
Hoje, em mim, é clara a vontade de correr por aí, mas sem destino.. O meu destino é querer saber a verdade que habita o meu coração sem tino...
Hoje quero morrer e ressuscitar; de terras e raízes, libertar-me... Peço desculpa, por amar e não me amar, por querer ser o meu mar e latejar-me...
Hoje quero fugir ao além-mar... Tocar no céu e caír como sal na minha areia... Não sei já ser romântica, não sei amar, mas quero ser alguém na minha teia...
Hoje sou feliz, e sei rimar... Com rimas que, o amor, vão ensinar-me... Quero ser tua amiga e procurar o que de viver quero, e afogar-me...
Postar um comentário