Existe uma pedra, no meio do lago.
Imponente, prepétua, sem trago
É vista por todos,
e ao mesmo tempo ignorada,
ninguem lhe vê os contornos,
pois ali esta, afundada.
Quem me dera ser ela,
tão feia, que ninguem lhe liga,
tão linda que ninguem dali a tira.
Um ser eterno,
para sempre sem nome,
para quê a fama?
se nem nós sabemos quem somos....
Filipe Guedes
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Finalmente silencio...
Depois de meses a procura-lo
Sinto agora, o seu soprar intenso.
Nunca me senti tão completo,
estando apenas eu,
simplesmente eu.
Não existem mentiras,
nem a suposta verdade,
apenas alguem,
que não sente a humanidade.
Aqui.. existe tudo
Um verdadeiro refugio
no coraçao de um mundo
Só falta a chuva,
para abafar os egos,
de quem não escuta
a natureza dos cegos.
Filipe Guedes
Depois de meses a procura-lo
Sinto agora, o seu soprar intenso.
Nunca me senti tão completo,
estando apenas eu,
simplesmente eu.
Não existem mentiras,
nem a suposta verdade,
apenas alguem,
que não sente a humanidade.
Aqui.. existe tudo
Um verdadeiro refugio
no coraçao de um mundo
Só falta a chuva,
para abafar os egos,
de quem não escuta
a natureza dos cegos.
Filipe Guedes
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter pref erências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter pref erências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo a flores tornam, ou as folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
Alberto Caeiro
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo a flores tornam, ou as folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
Alberto Caeiro
Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho.
Verdade, mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade – os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
Alberto Caeiro
12-4-1919
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho.
Verdade, mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade – os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
Alberto Caeiro
12-4-1919
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Dirijo-me para casa
Á procura de um verde perdido nos meus olhos
Aquele verde, que em tudo que toca extravasa
A solidão, alegre existente aos molhos.
Farto de sofrer por corações
Volto agora ao extenso mar de preocupações,
Provenientes de ser o único girino simplista,
Descendente deste ventre egoísta.

Venho de um lugar.
deserto de proprias emoções,
Onde até custa respirar,
O ar sujo de boas intenções
Douro!!!!
Deixa-me morrer nas tuas vastas colinas
Enormes, verdes, todas salpicadas de trabalho
Deixa-me correr nas tuas vindimas.
E morrer cansado...
Filipe Guedes
Á procura de um verde perdido nos meus olhos
Aquele verde, que em tudo que toca extravasa
A solidão, alegre existente aos molhos.
Farto de sofrer por corações
Volto agora ao extenso mar de preocupações,
Provenientes de ser o único girino simplista,
Descendente deste ventre egoísta.

Venho de um lugar.
deserto de proprias emoções,
Onde até custa respirar,
O ar sujo de boas intenções
Douro!!!!
Deixa-me morrer nas tuas vastas colinas
Enormes, verdes, todas salpicadas de trabalho
Deixa-me correr nas tuas vindimas.
E morrer cansado...
Filipe Guedes
Nunca senti tamanha dor
No meu coração escorre sangue
Que por onde passa, cede
E ardes como uma linda flor,
Que nos provoca alergia.
Por isto, esperei e não ao mesmo tempo,
Aquilo que eu tinha como certo
Quem me mandou ser esperto
E abrir assim o coração assim, ao sabor do vento.
Para onde foi a alegria?
A vontar de viver que outrora tive
A ansia de estar onde nunca estive
Parece que ma levaram, junto com a inocencia,
Onde o egoismo, não é sinonimo de transparencia,
Nem o amor de magia.
No meio de nenhures, ouço agora o chilrear dos pássaros
E a descomplexidade das suas emoções,
Ouço o vaguear de corações
Olhem que giros!!!!
Numa prefeita sintonia.
Com a mentira,
Com a traição,
Com a dor,
Com o meu coração.....
Filipe Guedes
No meu coração escorre sangue
Que por onde passa, cede
E ardes como uma linda flor,
Que nos provoca alergia.
Por isto, esperei e não ao mesmo tempo,
Aquilo que eu tinha como certo
Quem me mandou ser esperto
E abrir assim o coração assim, ao sabor do vento.
Para onde foi a alegria?
A vontar de viver que outrora tive
A ansia de estar onde nunca estive
Parece que ma levaram, junto com a inocencia,
Onde o egoismo, não é sinonimo de transparencia,
Nem o amor de magia.
No meio de nenhures, ouço agora o chilrear dos pássaros
E a descomplexidade das suas emoções,
Ouço o vaguear de corações
Olhem que giros!!!!
Numa prefeita sintonia.
Com a mentira,
Com a traição,
Com a dor,
Com o meu coração.....
Filipe Guedes
Veio a trovoada,
E com ela o vento soprou,
Trouxe a chuva tanto esperada,
Que todos os sonhos levou.
Por todo lado, sons cheios de vida,
Omanatopeias da mulher em mim escondida,
Gozo de quem nunca sentiu,
Uma flor que nunca floriu.
Eu bem tento substituir,
Este buraco por outro,
Mas nada me faz voltar a sentir,
Em casa, livre, solto.
Filipe Guedes
E com ela o vento soprou,
Trouxe a chuva tanto esperada,
Que todos os sonhos levou.
Por todo lado, sons cheios de vida,
Omanatopeias da mulher em mim escondida,
Gozo de quem nunca sentiu,
Uma flor que nunca floriu.
Eu bem tento substituir,
Este buraco por outro,
Mas nada me faz voltar a sentir,
Em casa, livre, solto.
Filipe Guedes
Destino, destino
Que trouxeste tu a mim?
Um envelhecer despertino,
Ou aquele trago a jasmim?
Que seria eu sem ti?
Livre, perdido, cansado.
Será que ainda estaria por aqui?
A tua espera, sentado.
Destino, destino.
A ti estou rendido,
Não vale a pena mudar,
O que a muito foi perdido.
E de mim,
Que podes tu esperar?
Nada mais que um jazigo,
Que teima em não repouzar.
E agora...
Por aquele dia anseio
Onde o luar se vai embora,
Deixando o meu coração cheio.
Filipe Guedes
Que trouxeste tu a mim?
Um envelhecer despertino,
Ou aquele trago a jasmim?
Que seria eu sem ti?
Livre, perdido, cansado.
Será que ainda estaria por aqui?
A tua espera, sentado.
Destino, destino.
A ti estou rendido,
Não vale a pena mudar,
O que a muito foi perdido.
E de mim,
Que podes tu esperar?
Nada mais que um jazigo,
Que teima em não repouzar.
E agora...
Por aquele dia anseio
Onde o luar se vai embora,
Deixando o meu coração cheio.
Filipe Guedes
Existe no meu ser,
Uma incapacidadade satisfação,
Um sentimento de tudo querer,
Uma busca pela atenção.
Porque não posso eu?
Pedir pouco de mim.
Querer apenas o que é meu,
E aceitar esse fim.
Este querer,
Esta vontade de tudo ter,
Está a levar-me a perder,
A vontade de alguém ter.
E quando o sol eu atingir,
De tão alto subir,
Vou-me aperceber,
Que todo aquele querer
Me fez cair,
E não solidão descobrir.
Que o querer querer perder
É o fado do meu ser...
Filipe Guedes
Uma incapacidadade satisfação,
Um sentimento de tudo querer,
Uma busca pela atenção.
Porque não posso eu?
Pedir pouco de mim.
Querer apenas o que é meu,
E aceitar esse fim.
Este querer,
Esta vontade de tudo ter,
Está a levar-me a perder,
A vontade de alguém ter.
E quando o sol eu atingir,
De tão alto subir,
Vou-me aperceber,
Que todo aquele querer
Me fez cair,
E não solidão descobrir.
Que o querer querer perder
É o fado do meu ser...
Filipe Guedes
Porque a a solidão é o meu maior inimigo,
e a atenção o meu grande vicio.
Porque neste momento sinto-me um mendigo,
que apenas se vê ao fundo de um precipício.
Porque nada parece merecer o meu esforço.
Porque tudo não é mais que uma espera,
onde a morte é apenas um esboço,
daquilo que a vida nos troucera.
Porquê este sentimento de apatia?
Que nada mais é, senao poesia.
Porque esta sede, que me leva ao desespero?
Que nada mais é, senao o sentimento de nunca ter o que quero.
Porque a unica coisa que me resta, são sarilhos.
Porque tanto me falta.
Porque toda a vida fui andando entre perigos.
Procurando sempre a minha ribalta.
Porquê, este porquê, que procura o porquê da vida?
Porquê esta duvida que agoira o meu ser?
Pode ser que me leve, onde eu consiga,
um dia saciar todo o meu querer...
Filipe Guedes
e a atenção o meu grande vicio.
Porque neste momento sinto-me um mendigo,
que apenas se vê ao fundo de um precipício.
Porque nada parece merecer o meu esforço.
Porque tudo não é mais que uma espera,
onde a morte é apenas um esboço,
daquilo que a vida nos troucera.
Porquê este sentimento de apatia?
Que nada mais é, senao poesia.
Porque esta sede, que me leva ao desespero?
Que nada mais é, senao o sentimento de nunca ter o que quero.
Porque a unica coisa que me resta, são sarilhos.
Porque tanto me falta.
Porque toda a vida fui andando entre perigos.
Procurando sempre a minha ribalta.
Porquê, este porquê, que procura o porquê da vida?
Porquê esta duvida que agoira o meu ser?
Pode ser que me leve, onde eu consiga,
um dia saciar todo o meu querer...
Filipe Guedes
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